Visto nômade digital na Espanha para brasileiros: requisitos e renda em reais

Resposta curta: o visto de nômade digital da Espanha, que a lei chama de autorização de residência por teletrabalho internacional, permite ao brasileiro morar na Espanha enquanto trabalha de forma remota para empresas ou clientes de fora do país. Em 2026 a renda mínima do titular é de cerca de 2.850 euros brutos por mês (34.188 euros por ano), cerca de R$ 17 mil por mês no câmbio de referência do Banco Central Europeu de 27 de outubro de 2026. As regras estão nos artigos 74 bis a 74 quinquies da Lei 14/2013, incluídos pela Lei de Startups (Lei 28/2022). Você pode pedir no consulado, que dá um visto de até 1 ano, ou já dentro da Espanha, pela UGE, que tem 20 dias para responder e concede até 3 anos.

O visto de nômade digital serve para quem tem carteira assinada numa empresa brasileira que aceita o trabalho remoto, para quem fatura como PJ para clientes no Brasil, nos Estados Unidos ou na Europa, e para o sócio de uma empresa própria com mais de um ano de atividade. Não serve para quem vive de aposentadoria, aluguel ou aplicações: a UGE só aceita renda que vem do trabalho, e para esse perfil existe a residência não lucrativa. E quem já tem passaporte italiano, português ou de outro país da União Europeia não precisa de visto nenhum para morar e trabalhar na Espanha.

Requisitos do visto de nômade digital para brasileiros

O que distingue o visto de nômade digital é o vínculo com quem paga você lá fora. O resto é o pacote de qualquer residência espanhola.

  • Vínculo de pelo menos 3 meses com a empresa ou os clientes de fora da Espanha, contados até a data do pedido.
  • Empresa com pelo menos 1 ano de atividade real, seja a sua empregadora, seja o cliente para quem você presta serviço.
  • Diploma ou 3 anos de experiência. Vale graduação, pós, curso técnico de nível superior ou escola de negócios reconhecida. Sem diploma, 3 anos comprovados em funções parecidas com as que você vai exercer.
  • Trabalho feito só por meios digitais. Se a função exige presença (supervisionar produção, visitar clientes), a UGE recusa.
  • Renda mínima, seguro saúde e antecedentes limpos do Brasil e de qualquer país onde você morou nos últimos 2 anos.

Há ainda o limite de 20 %. O empregado só pode trabalhar para a empresa de fora. O autônomo pode ter clientes espanhóis, desde que esse trabalho não passe de 20 % da sua atividade profissional e seja sempre prestação de serviço, nunca emprego (artigo 74 bis).

Renda mínima do nômade digital em reais (câmbio de outubro de 2026)

O visto de nômade digital exige que o titular prove 200 % do salário mínimo espanhol (SMI). O SMI de 2026 é de 1.221 euros em 14 pagamentos (Real Decreto 126/2026), 17.094 euros por ano; o dobro dá 34.188 euros, cerca de 2.850 por mês. A UGE diz na sua ficha de documentação que o valor é bruto, antes de impostos e contribuições. Pela família somam-se 75 % do SMI pelo primeiro familiar e 25 % por cada um a mais.

Quem vaiEuros brutos por mês (2026)Em reais, a R$ 5,9624 por euro
Só o titular2.850R$ 16.993
Titular e cônjuge ou companheiro3.917R$ 23.355
Titular, cônjuge e 1 filho4.274R$ 25.483
Cada familiar a maismais 356mais R$ 2.123
Fonte: SMI do Real Decreto 126/2026 e câmbio de referência do Banco Central Europeu de 27 de outubro de 2026. Valores arredondados.

O número em reais não fica parado. Só em outubro de 2026, o câmbio de referência do BCE foi de R$ 5,5819 (dia 12) a R$ 6,2523 (dia 26). O mesmo titular precisava de R$ 15.908 por mês num dia e de R$ 17.819 no outro. Quem recebe em reais e está perto do limite deve protocolar com folga, porque a conta é feita em euros e a carta da empresa precisa trazer o salário em euros.

Se o salário não chega, a UGE aceita um certificado bancário de poupança que cubra a diferença durante toda a vigência pedida. A poupança completa; não substitui o vínculo de trabalho. Aposentadoria do INSS, aluguel e rendimento de aplicações não contam para o mínimo.

CLT, PJ ou MEI: como o seu vínculo brasileiro entra no pedido

CLT. Para a Espanha é uma relação laboral. Você leva o contrato, os holerites dos últimos 3 meses e uma carta da empresa autorizando o trabalho a partir da Espanha, com as funções, a declaração de que tudo se faz por meios digitais e o salário em euros. Na Espanha, você só trabalha para essa empresa.

PJ. Quem fatura por CNPJ entra como relação profissional, igual a um autônomo. Contam o contrato de prestação de serviços com cada cliente, as notas fiscais dos últimos 3 meses e um certificado do banco com os pagamentos marcados, batendo valor por valor com as notas.

Sócio da própria empresa. Se você tem 100 % da empresa ou o controle dela, a UGE considera cumpridos os 3 meses ao provar a propriedade e mais de um ano de atividade. Em troca, pede a última declaração de imposto da empresa, prova de investimento em meios de produção e o histórico de empregados registrados.

MEI. Aqui a conta não fecha. O teto do MEI em outubro de 2026 é de R$ 81 mil por ano (Lei Complementar 123/2006), uns R$ 6.750 por mês, e o mínimo do titular não ficou abaixo de R$ 15.900 por mês em nenhum dia de outubro de 2026. Com o MEI sozinho não dá para provar a renda.

Um detalhe derruba planos: a UGE não aceita tempo de CLT para provar uma relação de PJ, nem o contrário. Quem troca a carteira assinada por um contrato PJ para pedir o visto começa a contar os 3 meses do zero.

Seguridade Social: o que o convênio Brasil-Espanha resolve e o que não resolve

O visto de nômade digital exige que o titular esteja coberto pela Seguridade Social enquanto mora na Espanha, e o caminho muda conforme o vínculo. Brasil e Espanha têm um convênio de Seguridade Social de 1991. O artigo 7 deixa o trabalhador deslocado pela empresa no INSS por até 3 anos, e o autônomo por até 2. Para o nômade digital, a UGE aplica isso só pela metade.

  • Empregado: ou a empresa brasileira se registra na Seguridade Social espanhola como empresa sem sede na Espanha e dá a sua alta no Regime Geral depois da aprovação, ou você apresenta o certificado do INSS emitido com base no convênio, junto com um documento que diga expressamente que ele cobre o teletrabalho feito da Espanha. O protocolo do pedido do certificado não serve.
  • PJ ou autônomo: alta obrigatória no regime de autônomos espanhol, o RETA, depois da aprovação e antes de começar a trabalhar da Espanha. A UGE não aceita o convênio para autônomos. Não fazer a alta pode levar à extinção da autorização, sua e da família.

Fonte: perguntas frequentes da UGE sobre teletrabalhadores internacionais, abril de 2026. Muitas empresas brasileiras não querem se registrar na Espanha. Nesse caso, o certificado do INSS vira a peça central e precisa estar emitido antes do protocolo.

Como conseguir o visto nômade digital na Espanha: consulado ou UGE

No consulado da Espanha no Brasil você recebe o visto de teletrabalho, de até 1 ano, que já permite morar e trabalhar na Espanha. Nos 60 dias antes de ele vencer, você pede a autorização de residência na UGE para continuar.

Dentro da Espanha, o brasileiro entra sem visto como turista, por até 90 dias, e pede a autorização online pela UGE enquanto está em situação regular. Pelo artigo 76 da Lei 14/2013, a UGE tem 20 dias desde a apresentação eletrônica para resolver; sem resposta, o pedido se considera aprovado. Enquanto o processo corre, a sua estada fica prorrogada. A autorização sai por até 3 anos e se renova por períodos de 2. A taxa (modelo 790, código 038) é de 73,26 euros por pessoa (Fonte: UGE, abril de 2026).

Para quem pode viajar, pedir de dentro costuma ser melhor: é mais rápido e dá 3 anos de uma vez. O contra é que os documentos do Brasil precisam chegar prontos, porque refazer uma certidão de longe custa semanas. E os 20 dias param se a UGE pedir um documento que faltou.

Documentos do Brasil para o pedido de nômade digital

  • Passaporte válido, com cópia de todas as páginas.
  • Certidão de antecedentes criminais da Polícia Federal, com apostila de Haia e tradução juramentada para o espanhol, mais a de qualquer outro país onde você morou nos últimos 2 anos.
  • Certidão da Junta Comercial (ou registro equivalente) que prove mais de 1 ano de atividade da empresa empregadora ou cliente.
  • Diploma apostilado. Em profissão regulamentada (medicina, advocacia, engenharia), a UGE pede a homologação do título ou uma declaração perante notário de que você não vai exercer essa profissão na Espanha. Sem diploma, a experiência se prova com o histórico oficial de trabalho, que no Brasil costuma ser o extrato do CNIS do INSS, junto com cartas das empresas com datas e funções.
  • Contrato, carta da empresa, holerites ou notas fiscais dos 3 últimos meses e o certificado bancário assinado pelo banco.
  • Seguro saúde de seguradora autorizada na Espanha, sem carência nem coparticipação. Seguro viagem não vale. A cobertura pública, pela alta na Seguridade Social, também serve.

Fonte: UGE, ficha de documentação do titular, julho de 2025. O currículo pode ir com tradução simples. A família (cônjuge ou companheiro, filhos e pais a seu cargo) pode pedir junto, e os familiares podem trabalhar na Espanha sem restrição.

O visto de nômade digital conta para a cidadania espanhola em 2 anos?

Conta. A autorização de teletrabalho é residência legal, e o brasileiro nato pode pedir a cidadania espanhola com 2 anos de residência legal, contínua e imediatamente anterior ao pedido. O dia em que o relógio começa depende de como você pediu: pelo consulado, a partir da entrada na Espanha com o visto; pela UGE, já estando na Espanha, a partir da concessão. Os dias como turista antes do pedido não entram.

Para não criar buracos, peça cada renovação dentro do prazo: o pedido mantém a autorização em vigor até a resposta. Quem se naturalizou brasileiro segue a regra geral de 10 anos. Detalhamos prazos, exames e documentos na página de cidadania espanhola para brasileiros.

Lei Beckham: para quem vale com este visto

O artigo 93 da lei do IRPF cita o empregado com visto de teletrabalho internacional como um dos casos que podem optar pelo regime especial. O regime cobra 24 % sobre os rendimentos do trabalho até 600.000 euros por ano e 47 % acima disso, no ano da mudança e nos 5 seguintes, para quem não foi residente fiscal na Espanha nos 5 anos anteriores. Não é automático: o pedido vai no Modelo 149, em até 6 meses desde a data de início da atividade que consta na alta na Seguridade Social espanhola ou, para quem continua no INSS pelo convênio, no certificado do INSS.

Para o PJ que fatura para clientes, a lei não abre essa porta da mesma forma, e o sócio de empresa própria depende de como a empresa e o cargo estão montados. Nossos advogados e assessores fiscais olham isso junto com o visto, antes do protocolo.

O que os brasileiros mais nos perguntam sobre o nômade digital

As consultas de brasileiros sobre este visto vêm de três perfis: contratados por empresas de fora, gente que fatura pela própria empresa no Brasil e autônomos com um único cliente brasileiro. As dúvidas se repetem. Dá para pedir já na Espanha depois de entrar como turista? Dá, pela UGE. O companheiro precisa de visto de estudante? Não, entra como familiar e pode trabalhar. A aposentadoria ajuda a fechar a renda? Não conta. E a Lei Beckham vale para quem fatura pela própria empresa? Depende, e quase nunca do jeito que a pessoa imagina.

Também recebemos casos de quem ganha em reais um valor que, no câmbio do dia, fica pouco acima do mínimo. Com o euro variando mais de 10 % num único mês, essa margem some. Preferimos protocolar com folga, ou com um certificado de poupança que cubra a diferença, a contar com o câmbio do dia.

Fale com um advogado de imigração sobre o seu visto

Nossos advogados conferem se o seu vínculo (CLT, PJ ou empresa própria) passa na UGE, fazem a conta da renda em euros, organizam a parte da Seguridade Social e escolhem entre consulado e UGE pensando também na data da cidadania. Pode escrever em português. Por enquanto a equipe responde em espanhol ou em inglês.

A My Spanish Residency usa estes dados para responder à sua consulta, a seu pedido. Você pode pedir para vê-los, corrigi-los ou apagá-los quando quiser. Política de privacidade (em espanhol)

Perguntas frequentes sobre o visto de nômade digital

Qual a renda mínima do visto de nômade digital na Espanha?

Em 2026, 200 % do salário mínimo espanhol: 34.188 euros brutos por ano, cerca de 2.850 por mês, ou uns R$ 17 mil por mês no câmbio do Banco Central Europeu de 27 de outubro de 2026. Para o casal, cerca de 3.917 euros por mês. Só conta renda do trabalho.

Brasileiro pode pedir o visto de nômade digital estando na Espanha como turista?

Pode. Quem está na Espanha em situação regular pede a autorização pela UGE, online. A lei dá 20 dias para resolver e, sem resposta, o pedido se considera aprovado. A autorização sai por até 3 anos.

Dá para pedir o visto nômade digital como PJ ou MEI?

Como PJ, sim: entra como relação profissional, com contratos de pelo menos 3 meses e alta no regime de autônomos espanhol depois da aprovação. Com MEI sozinho não, porque o teto de R$ 81 mil por ano fica abaixo da renda mínima.

O nômade digital pode trabalhar para empresa espanhola?

O empregado, não: só trabalha para a empresa de fora. O autônomo pode ter clientes espanhóis até 20 % da sua atividade profissional, sempre como prestação de serviço e nunca como emprego.

O visto de nômade digital conta para a cidadania espanhola?

Conta. O brasileiro nato pede a cidadania com 2 anos de residência legal e contínua. Pelo consulado, a contagem começa na entrada na Espanha com o visto; pela UGE, na data da concessão.

Preciso pagar a Seguridade Social espanhola com este visto?

O autônomo ou PJ precisa de alta no RETA, e o convênio com o Brasil não serve para evitá-la. O empregado entra no Regime Geral pela empresa ou apresenta o certificado do INSS pelo convênio, com documento que cubra expressamente o teletrabalho feito da Espanha.

Quanto custa o visto de nômade digital na Espanha?

Pela UGE, a taxa do modelo 790, código 038, é de 73,26 euros por pessoa (abril de 2026). Somam-se apostilas, traduções juramentadas e o seguro saúde. Pelo consulado, vale a taxa de visto do consulado.

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